Qual é o Significado de Família na Bíblia?
O significado de família diz respeito à unidade social instituída por Deus logo após Ele ter criado o primeiro casal. Isso faz da família a mais antiga das instituições humanas. A Bíblia deixa claro que essa instituição é formada sob a base do matrimônio que se estende ao nascimento dos filhos como frutos da união dos cônjuges.
A ideia de “família” é expressa na Bíblia através de alguns
termos hebraicos e gregos. No geral, esses termos são traduzidos por palavras
como: “casa”, “parentes”, “clã”, “lar”, “os da casa”, e, claro, “família”.
Às vezes essas palavras são empregadas de modo a denotar um
significado mais amplo do que simplesmente se referir aos membros de um mesmo
grupo familiar. Isso quer dizer que em certas passagens bíblicas, dependendo do
contexto, essas palavras se referem a grupos maiores, como por exemplo, membros
de uma mesma tribo ou indivíduos que possuem a mesma etnia.
Como eram as famílias nos tempos bíblicos?
Em seu núcleo essencial, as famílias dos tempos bíblicos
eram formadas por pais e filhos. Mas era comum que essa unidade familiar se
estendesse de modo a abranger parentes de diferentes graus.
Além disso, nas famílias mais abastadas que possuíam
serviçais, os servos contratados e os escravos também eram contados como
membros de uma família. Outras pessoas que não estavam ligadas por laços
sanguíneos com uma determinada família, também podiam ser incluídas nela, como
por exemplo, concubinas e amigos.
Também era comum que as famílias dos tempos bíblicos fossem
muito numerosas. Isso porque os filhos eram vistos como verdadeiros presentes
de Deus; e as pessoas desejavam tê-los em quantidade. A família de Jacó é bom
exemplo disso, com pelo menos sessenta e seis pessoas, contando apenas seus
filhos e netos.
Nos tempos bíblicos, o filho primogênito era preparado para
suceder o pai como chefe da família. Além de maior responsabilidade, o filho
primogênito também recebia porção dobrada da herança da família.
A estrutura da família bíblica
A Bíblia apresenta a estrutura familiar organizada de modo
que o marido é o líder social e espiritual da família que conduz a esposa, e,
juntos, eles conduzem os filhos. Isso significa que a estrutura da família de
acordo com a Bíblia deve obedecer aos princípios divinos para o matrimônio.
O propósito de Deus para o casamento é que ele seja uma
união indissolúvel entre um homem e uma mulher. Assim, unidos em uma só carne,
marido e mulher são incentivados a se reproduzirem, expandindo seu lar.
Mas por causa do pecado, muitas vezes a família é deformada.
Nos tempos bíblicos, por exemplo, era comum a prática da poligamia – um tipo de
pecado que afrontava diretamente o propósito monogâmico do casamento instituído
por Deus. Também era frequente o exercício da autoridade familiar de forma
tirânica pelo líder da família.
Deus deu ao homem a responsabilidade de liderar a família,
mas essa liderança deve sempre ser exercida em amor. O mandamento bíblico é que
a esposa deve ser sujeita ao marido; mas o marido também deve amar e cuidar da
esposa como a si mesmo.
Os filhos devem obedecer, respeitar e honrar os pais; mas
também os pais não devem causar a ira em seus filhos. Na verdade os pais devem
orientar os filhos e treiná-los para que eles sejam pessoas maduras e de
caráter.
Além disso, os pais têm a responsabilidade de conduzir seus
filhos ao conhecimento do caminho do Senhor; eles instruí-los de acordo com os
preceitos da Palavra de Deus; e devem servir de exemplos para eles de uma vida
em obediência, temor e adoração a Deus.
Recomendações bíblicas para a família
Há diversas passagens bíblicas que trazem ensinamentos
fundamentais para a vida prática da família. Vejamos algumas delas:
A Bíblia fala da importância e do significado elevado do
casamento ao comparar a relação entre marido e mulher à relação entre Cristo e
a Igreja. A mulher deve aceitar a liderança do marido. Mas o marido tem que
exercer essa liderança de modo a refletir o cuidado e o amor do próprio Cristo
à sua Igreja (Efésios 5:22-25).
Os responsáveis por treinar as crianças são os pais (Gênesis
18:18,19; Deuteronômio 4:9; 6:6-8; 11:18-21; Provérbios 22:6; Efésios 6:4).
Nesse sentido, a disciplina é algo de muito valor (Provérbios 13:24; 19:18;
22:15; 23:13,14; 29:15,17; Hebreus 12:5-11).
A mulher briguenta é reprovada (Provérbios 19:13; 27:15);
bem os filhos desobedientes também são (Provérbios 19:26; 20:20).
O relacionamento entre um crente e um incrédulo é
desencorajado (Deuteronômio 7:3,4). Mas no caso de um dos cônjuges ser
descrente, a Bíblia também dá instruções acerca de como a parte crente deve
proceder (2 Coríntios 6:12-16,32-35).
A Bíblia não deixa dúvida quanto à gravidade do divórcio
(Mateus 19:3-11); bem como dá instruções sobre quando é permitido casar-se
novamente (Romanos 7:1-3; 1 Coríntios 7:39,40).
A Bíblia também traz instruções práticas para a vida familiar cotidiana (Tito 2:3-5; 1 Pedro 3:1-6; etc.).
O significado da família no sentido figurado
Várias vezes na Bíblia a comunidade dos fieis é vista como
uma grande família. Os redimidos por Cristo são adotados por Deus. Assim, em
Cristo, os crentes são vistos por Deus como seus filhos. Por isso eles podem se
dirigir a Deus dizendo: “Pai nosso que estás no céus” (Mateus 6:9).
O fato de os crentes se relacionarem com um Pai Celestial,
faz da Igreja a própria casa, a família de Deus (Efésios 2:19; 1 Timóteo 3:15;
Hebreus 3:6; 1 Pedro 4:17).
Entre os crentes, o relacionamento que eles desfrutam também
é visto em caráter familiar. Os redimidos são irmãos na fé, unidos em Cristo.
Aqueles a que Deus chamou para organizar e liderar seu povo na terra nas
comunidades cristãs locais, também são comparados aos pais de família (1
Timóteo 3:5).
Diferentemente da família terrena, a família da fé não terá
seus laços familiares findados aqui, mas permanecerá por toda a eternidade. Em
casos extremos em que um crente tiver que escolher entre sua família terrena e
seu amor a Cristo, sua escolha deve ser pela família de Deus (Mateus 10:35,36;
Lucas 14:26,33; cf. Marcos 3:31-35).
Nenhum comentário:
Postar um comentário